A carta objeto deste clássico não é apenas um documento, datado do início do século IV de nossa era, que se dirige a alguém — Marcela, esposa do autor —, mas é um documento universal que funciona como testamento de uma doutrina enraizada na antiguidade legendária de Pitágoras com os frutos da filosofia de Platão. Isso se faz através desse gênero literário — o epistolar — que é mais apreensível pela maioria, não sendo um tratado, como tantos nas Enéadas, nem um poema de autor erudito; se a carta é um testamento filosófico da Antiguidade, o destinatário é o próprio leitor que busca saber como sobreviver contra tantas dificuldades sociais e econômicas, que envolvem tomadas de decisão políticas e religiosas. Isso afeta a todos em todas as épocas, e saber se posicionar, aprendendo a se conhecer e contemplar o Uno por meio da Inteligência, é o maior dos ensinamentos que alguém pode alcançar.
A presente edição conta com a celebrada tradução e introdução de Juvino Alves Maia Junior, Professor Titular na Universidade Federal da Paraíba, que é também tradutor das Enéadas, e prefácio do professor Jose Carlos Fernández, da Escola de Filosofia Nova Acrópole – Portugal.